Wednesday, January 25, 2012

SETTE ORCHIDEE MACCHIATE DI ROSSO (1972)



Serial-killer mascarado e paramentado com luvas negras de couro assassina mulheres deixando no local do crime um pingente em forma de meia-lua prateada. Giulia (Uschi Glass), sobrevivente de uma tentativa de homicídio, com ajuda do marido estilista Mario (Antonio Sabato), encena morte e féretro para enganar o psicopata e tentar desvendar os crimes. A despeito da proteção concedida pela Policia ao mulherio, as mortes continuam. Quem será a próxima vitima? Qual o liame de causalidade entre os crimes? Por que a policia é tão incompetente como nos filmes noir? A despeito da última questão (seria uma critica à sociedade patriarcal italiana?), todas as demais são esquematicamente – sem embargo da confusão do roteiro - respondidas. O filme de Lenzi é morno, pouco dinâmico, cheio de clichês e destituído da excessiva e estilizada linguagem visual gongorica-mod-barroca que imprimiu ao thriller italiano erótico-policial sua característica mais notável, distanciando-se, assim, das produções conterrâneas e operísticas de Dario Argento e Sergio Martino. Lenzi, mais lembrado pelo infame e brutal Cannibal Ferox, do conhecido ciclo de filmes canibais italianos, foi mais cuidadoso em seu giallo subseqüente, Spasmo (1974).

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Sunday, December 18, 2011

GATES OF HELL TRILOGY


A trilogia nao intencional do diretor italiano Lucio Fulci que começa com City of Living Dead marca um dos pontos altos do cinema de horror italiano pós giallo. A proposta metafísica confronta o suicídio de um padre, que ocasiona a abertura de um dos sete portais do inferno, aos habitantes de uma cidade atacados por mortos recém saídos de suas sepulturas. Inserido no infame codex inglês conhecido como Video Nasty, o filme de Fulci foi proibido em diversos países ou lançado em ediçoes mutiladas em razao da sua grotesca mistura de extremely gore, violência gráfica e hereges toques lovecraftianos. Sao visiveis as limitaçoes da produçao, mas o horror impossível de Lucio Fulci - o quase horror absoluto de referências artaudianas - tornou-se objeto de culto, fechando o ciclo do zumbi spaghetti, dissociando-se quase totalmente do marco visual criado por George Romero. No inventivo e quase onírico ciclo splatter criado por Fulci há a suspensao da narrativa formal, substituída por imagens sínteses do horror físico, no qual o beneficiado e atacado - em sentido figurado ou nao - é justamente o olho humano.

The Beyond é o mais autoral do tríptico. Na narrativa quase suspensa de Beyond o linchamento de um pintor tido como bruxo por citadinos de uma cidade do sul dos EUA provoca a abertura para o mundo do além físico trazendo a noçao apocalíptica do fim, da destruiçao do tecido social e do corpo humano. Essa noçao tomista e mórbida de Lucio Fulci permeia o filme do início ao fim metafísico, deixando, além do sangue e vísceras, também a dúvida: seria o além o que vemos ao final da película? A moça cega seria um fantasma? Em suma, o que se depreende desta estranha historia é a noçao da ausência completa de sentido para a existência humana, valores transcedentais ou patriarcais (o jornalista e o psiquiátra in City of Living Dead ou o acadêmico in House by the Cemetery, nao sao menos patéticos que o  médico em Beyond, colocando em dúvida a autoridade dos agentes patriarcais); nao há regras mas sim um sentido perverso de que a ausência de D'us, seu silêncio, ou o domínio do aleatório sao premissas equivalentes. A iminencia da aniquilaçao substitui a crença no Absoluto. Novamente os olhos sao os alvos preferidos da violência perpetrada pelo diretor, quer mediante a perverçao gore, quer pelo simbolismo da proibiçao do conhecimento dos nichos sobrenaturais liberados pela propria violência humana.


House By the Cemetery é o mais fraco dos três, mantendo o clima sombrio, mas bem conhecido, de história de horror familiar. Jovem mulher novaiorquina muda-se com a família para antiga casa aparentemente assombrada. Pouca história e pouco gore. Imagem síntese: a desconfortável sequencia do olhar de uma criança pela janela da casa impressa numa velha foto preto e branco.


A ediçao inglesa da Arrow é a única no mercado que disponibiliza os três filmes em DVDs.

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Sunday, December 13, 2009

LA CODA DELLO SCORPIONE



Figura de destaque no cinema de gênero italiano, Sergio Martino sempre teve o mérito de oferecer, além de uma genuína maestria consolidada como diretor, também um gosto pela experimentação visual e dinâmica narrativa. Não por acaso, nos anos setenta passou a assinar, um após o outro, uma série de obras de culto como All the Colors of Dark, Torso, The Strange Vice of Mrs. Wardh, que vão desde o sci-fi trash (The Island of Mutations), passando pelo cinema de aventura (A Montanha do Deus Canibal) e spag westerns (Mannaja), com uma característica comum na maioria de sua filmografia: todos os seus títulos são considerados clássicos. Há, portanto, um liame de causalidade nos filmes de Martino, mas precisa de uma identidade que o torna único e inimitável na paisagem do cinema italiano. Não é coincidência que "Scorpion's Tail" tem um plus embora não seja considerado como um dos seus melhores hits.


A dinâmica giallo, o desenvolvimento da trama, atores excelentes e um visual pop lisérgio que aparece mais frequentemente em cenas não convencionais fazem deste filme um belo exemplo de puro divertissement, para o bem do público, e um suspense estilizado que aumentou significativamente seu poder de atraçao além das fronteiras nacionais, tornando-se um título emblemático para muitos diretores estrangeiros (Tarantino, Scorcese). Rodado após a Strange Vice of Mrs. Wardha, teve originalmente como protagonista a belíssima Edwige Fenech, mas o atrito advindo da maternidade tornou impossível a sua entrada no elenco, sendo substituída pela recém iniciada estreante Martin Anita Strindberg, que já havia sido notada no filme Lizard in Woman Skin, de Lucio Fulci. O rosto nórdico e o corpo deslumbrante da bombshel sueca, juntamente com os protagonistas de uma história de assassinatos ligados ao seguro de vida, tendo George Hilton no papel de um agente de seguros e Luigi Pistilli no estranho papel de um Inspetor de Polícia, pode ser considerado um noir moderno.


Belas paisagens em locaçoes na Grécia, fotos ousadas, subjetividade, alguns nus e alguma violência torna este filme diversao garantida, respeitando sua dignidade de estilo.

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