Friday, September 14, 2012

UM CONDENADO A MORTE ESCAPOU


O Condenado a Morte escapou. Não é uma constatação, já não é o final do filme, mas seu título. O título não encerra o universo em si, nem atrapalha seu suspense solitário. O universo de Bresson, o universo dos seus filmes tem a capacidade de solicitar sempre uma transcendência, como se os seus personagens, muitos egressos da literatura dostoievskiana, outros tantos saídos da obra do pensador católico George Bernanos, sacrificassem e irrompessem os diversos materialismos que os cercam e aprisionam para conseguir, ao fim e ao cabo, a redenção e, por conseguinte a liberdade, se não do corpo pelo menos do espírito. Para tanto, despoja seus personagens e seus atos – mas também seus cenários e ações - ao mínimo lapidar, sem espetáculos e sem excessos. O motivo mais explicito para a interpretação minimalista é o abandono da idéia de que a arte cinematográfica é “prima-irmã” do teatro, mas sim seu antípoda. O estilo rigoroso de Bresson elide a afetação teatral de seus antecessores, criando a linguagem do “Cinematógrafo”. Todas as tarefas feitas pelo condenado no silencio da noite, na escuridão de sua cela, lascando madeiras, afiando colheres - com vistas a obter um instrumento que possibilite cavar buracos – nos possibilita ver a fuga como a única transcendência, como a única chance de vislumbrar um aceno de Deus, além do paradoxo da prisão como liberação  - “Constatei que o ritmo das imagens não tem o poder de corrigir toda lentidão interior. Só os nós que atam e desatam no interior dos personagens conferem ao filme seu movimento” -, tudo isso pulsando e revelando a face mais sincera desse diretor sempre tão fiel a si mesmo, tentando encontrar a lucidez das tragédias gregas no desalento e no pessimismo suicida de seus personagens.

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Thursday, December 31, 2009

OS MELHORES LIVROS DE 2009

2009 foi espartano para leituras, mas mesmo assim, com efeito, declino, entre algumas, as melhores leituras do ano.

Lady Macbeth do Distrito de Mtsenk (Nikolai Leskov)



O  Despovoador/Mal visto Mal dito (Samuel Beckett)



Futuro Proibido (Rudy Rucker, Peter Lamborn, J.G. Ballard, Rachel Pollack, Willian Burroughs)



A Última Transmissao (Greil Marcus)



Feitiço de Amor e Outros Contos (Ludwig Tieck)



Duas Narrativas Fantásticas (Fiódor Dostoiévski)


Retro do Artista Quando Jovem Cao (Dylan Thomas)


Thais (Anatole France)


Berlin Alexanderplatz (Alfred Döblin)


Ao Vivo no Village Vanguard (Max Gordon)


Contra-História da Filosofia (Michel Onfray)


Metafísica do Amor (Schopenhauer)


Crimes Exemplares (Max Aub)


Sacher-Masoch o frio e o cruel (Gilles Deleuze)


O Jogo da Amarelinha (Julio Cortazar)


Film as a Subversive Art (Amos Vogel)


Orientalism (Edward Said)

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