Tuesday, July 14, 2009

MARAT/SADE


Primeiro, a história: no regime napoleônico, entre 1803 e 1812, o Marquês de Sade, internado no sórdido manicômio de Charenton, imbuído de um ponto de vista político, mais do que qualquer outra coisa, resolve organizar, em conjunto com os seus colegas de hospital, várias peças de teatro, "para fins terapêuticos "com a bençao do diretor do Instituto. Em 1964, o dramaturgo alemão Peter Weiss, agarrou esta sugestão, e escreveu uma peça intitulada "A Emblematica Perseguição e Assassinato de Jean-Paul Marat" representado por pacientes do asilo de Charenton sob a direção do Marquês de Sade. Mediante o conhecimento didático oriundo da escola aberta por Bertolt Brecht é resolvido em um estridente duelo entre a dialética tribuna, no qual, de uma maneira quase ascética, acredita que o Bom pode ser alcançado através do sangue derramado por um ato revolucionário em contraposiçao aos antigos libertinos, individualistas cínicos, defensores do mal como o verdadeiro - doravante denominado Sade, o aristocrata - motor da história. Tendo em mãos o texto, Peter Brook, nas primeiras etapas, em Londres, e em seguida para a tela grande, nao esquece a assinatura áspera composta inicialmente por Weiss, acumulando uma série de "sinais" onde o paroxismo dionisíaco teorizada por Antonin Artaud, em seu Teatro da Crueldade, anda de mãos dadas com o sugestivo "popular" dos musicais hollywoodianos: em suas mãos, mesmo os momentos mais dramáticos do texto (como, por exemplo, a última rebelião dos pacientes ) é transmutada em uma complexa e 'dark' coreografia que, em vez de assumir as regras canônicas do teatro, aponta para a realidade de Julian Beck. Os jogadores são adaptados ao 'tour de force' impostas por um Brook masoquista com entusiasmo, nos quais se destacam pelo menos dois espectáculos memoráveis: estamos nos referindo ao Marquês de Sade, em que Patrick Magee oferece sua máscara soturna incomodado por saltos bruscos luciferianos, e Charlotte Cordey, interpretada por Glenda Jackson (sua estréia no cinema), impotente como um peão de um sistemático e obscuro jogo de xadrez, pois tal como seus colegas, esta também perde a luz da razão.

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